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  • Foto do escritorVital Psilo

Os preditores da experiência psicodélica

Atualizado: 22 de dez. de 2022


Um melhor entendimento dos fatores que predizem a experiência psicodélica é fundamental para a evolução clínica dos pacientes e redução de danos. Pesquisadores australianos identificaram e compararam estes fatores relacionados às experiências psicodélicas positivas e desfavoráveis. Foram avaliadas quatro substâncias (psilocibina, LSD, MDMA, cetamina) em uma análise de 22 relatos provenientes do banco de dados Erowid – que fornece informações sobre plantas e outros produtos psicoativos.

A análise foi conduzida considerando o paradigma de “set and setting” (leia o post em nosso blog) e revelou três preditores externos – natureza, música e preparo do ambiente, além de outros três preditores internos, como a compreensão da experiência, estado mental e motivos para o uso do psicodélico. A natureza e a música mostraram-se como ferramentas potenciais que diminuíram as reações adversas aos psicodélicos. Os efeitos perceptivos e sensoriais específicos de cada substância também foram investigados.

Muitos participantes descreveram uma capacidade alterada de locomoção durante a experiência, sendo mais prevalente entre os usuários de cetamina (80%). Uma leve limitação física foi associada à psilocibina (35%), devido à perda de coordenação ou vertigem. A mobilidade aprimorada (aumento da capacidade e do desejo de movimentar-se) foi mais comum para o MDMA (74%), menos frequente para a psilocibina (8%) e inexistente entre os relatos de LSD e cetamina.

Alucinações e distorções visuais foram comuns entre os usuários de LSD (41%) e psilocibina (24%), sendo amplamente estimuladas pela natureza. A cetamina também produziu alucinações visuais (29%), porém, por meio de experiências internas. O MDMA (6%) melhorou as cores e luzes, mas com poucos relatos de distorção ou alucinação. A sinestesia – que descreve uma interconexão aprimorada entre os sentidos, onde a estimulação de um produz efeito em outro, ocorreu mais nos relatos de cetamina (47%) e LSD (39%), sendo raramente associado à psilocibina (14%) e inexistente nos usuários de MDMA.

Distorções auditivas e alucinações ocorreram com sinestesia associada nas experiências com cetamina (50%) e LSD (34%). Os psicodélicos também alteram a percepção da integração entre a mente e o corpo. Esta dissociação diminui a consciência corporal, e aumenta a consciência pessoal. Isso foi mais comum para a cetamina (62%), seguido por psilocibina (31%) e LSD (7%), mas não foi reportado pelos usuários de MDMA.

Embora estes dados sejam muitos limitados devido ao tamanho da amostra e dos relatos do Erowid, o impacto dos preditores de experiências psicodélicas devem ser considerados na redução de danos, à medida que a pesquisa clínica neste campo amadurece e o número de usuários medicinais e recreativos aumentam cada vez mais.

Referência

McCartney AM, McGovern HT, De Foe A. Predictors of Psychedelic Experience: A Thematic Analysis. J Psychoactive Drugs. 2022 Oct 5:1-9. doi: 10.1080/02791072.2022.2129885.

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