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  • Foto do escritorVital Psilo

Psicodélicos no tratamento de transtornos alimentares: o que se sabe até o momento?




Os transtornos alimentares (TAs) são caracterizados por comportamentos alimentares anormais que afetam negativamente a saúde física e mental. Eles incluem a anorexia nervosa (AN), bulimia nervosa (BN) e compulsão alimentar periódica (CAP). Essas condições estão associadas a doenças crônicas, incapacidades, redução da qualidade de vida e aumento do risco de suicídio. Além disso, estão relacionadas a transtornos de humor, transtornos de abuso de substâncias, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).



O tratamento envolve estratégias baseadas na terapia cognitivo-comportamental, combinadas com inibidores seletivos da recaptação de serotonina, anticonvulsivantes e estimulantes ou supressores do apetite, dependendo do diagnóstico. No entanto, a eficácia desses tratamentos é geralmente limitada, o que destaca a necessidade de abordagens eficazes para casos resistentes.


Atualmente, a psicoterapia assistida por psicodélicos (PAP) demonstra alguma eficácia no tratamento de transtornos psiquiátricos e proporciona experiências psicológicas profundas que podem contribuir para diversos diagnósticos, incluindo TAs. Alguns pesquisadores apontam que os mecanismos pelos quais a PAP pode tratar TAs incluem o sistema serotoninérgico, alterações na conectividade funcional e aprimoramento da flexibilidade cognitiva. Os efeitos potenciais da PAP no tratamento de TAs incluem melhora da imagem corporal, normalização do processamento de recompensa, redução da rigidez comportamental e cognitiva, processamento de traumas e melhorias nas comorbidades e fatores terapêuticos gerais.


Entretanto, a evidência científica sobre o uso de psicodélicos em pessoas com TAs ainda é limitada e inclui relatos de casos, estudos transversais e ensaios clínicos pilotos, principalmente focados em AN e BN. Um relato de caso de 1959 descreveu um paciente com AN tratado com duas doses de psilocibina, que apresentou fortes efeitos terapêuticos, incluindo melhora do humor e ganho de peso.


Outros relatos de casos descrevem benefícios terapêuticos em pessoas com TAs que passaram por terapia assistida por cetamina. Um paciente obteve remissão duradoura da BN após o tratamento com cetamina, enquanto outro se recuperou da AN com a combinação de cetamina e uma dieta cetogênica. Além disso, uma paciente com AN experimentou reduções nos sintomas de depressão e ideação suicida após o tratamento com cetamina, embora não tenha alcançado a remissão completa da doença.


Embora os psicodélicos tenham um perfil de segurança favorável quando usados em ambientes clínicos, e a toxicidade seja rara, mesmo em ambientes não controlados, o tratamento de pacientes com TAs requer cuidados específicos. Interações medicamentosas, comorbidades e o estado nutricional devem ser considerados.


Dado os resultados preliminares e os mecanismos terapêuticos plausíveis, há uma justificativa clara para análises mais aprofundadas. Pesquisas futuras devem realizar estudos maiores e controlados para investigar a eficácia e segurança da PAP com diferentes medicamentos psicodélicos para diferentes diagnósticos de TAs, uma vez que ainda não está claro quais substâncias são mais adequadas para certos grupos de pacientes.

Veja também o post "Avanços na pesquisa clínica com psilocibina em diversas condições médicas".


Referência

Calder A, Mock S, Friedli N, Pasi P, Hasler G. Psychedelics in the treatment of eating disorders: Rationale and potential mechanisms. Eur Neuropsychopharmacol. 2023 Jun 21;75:1-14. doi: 10.1016/j.euroneuro.2023.05.008. Epub ahead of print. PMID: 37352816.

Disponível na íntegra em:

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0924977X23001098?via%3Dihub

📷 iStock

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