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  • Foto do escritorVital Psilo

Relato de caso clínico: parada cardíaca associada ao uso de psilocibina e outras substâncias

Atualizado: 15 de jun. de 2023



Um artigo publicado no periódico Cureus da Springer Nature compartilhou o caso clínico de um adulto que sofreu parada cardíaca associada a psilocibina, Cannabis, lisdexanfetamina e hemocromatose hereditária – uma doença caracterizada pelo acúmulo de ferro nos tecidos e que causa danos aos órgãos. O paciente, um homem de 48 anos, possuía histórico de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e estava em tratamento com lisdexanfetamina.

Após desmaiar em sua residência, sua esposa acionou o serviço médico de emergência e iniciou a ressuscitação cardiopulmonar com compressões. Ao chegarem, os socorristas encontraram o paciente inconsciente e em taquicardia ventricular. Ele foi imediatamente reanimado e cardiovertido mecanicamente, recuperando o ritmo cardíaco e a circulação espontânea, sendo entubado e sedado com propofol. No local de atendimento, os socorristas encontraram cogumelos contendo psilocibina (confirmados pela esposa), cujo gênero, espécie e quantidade ingerida permanecem desconhecidos. A esposa também relatou que o paciente tinha parentes de primeiro grau com histórico de morte súbita cardíaca.

Ao chegar ao pronto-socorro, os sinais vitais do paciente estavam normais e ele se manteve estável hemodinamicamente enquanto permanecia entubado. Em seguida, ele passou por uma avaliação detalhada, incluindo ressonância magnética cardíaca, avaliação de isquemia e eletrofisiologia, porém, nenhum resultado relevante foi encontrado. Os exames laboratoriais mostraram apenas níveis elevados de troponina I, indicando dano cardíaco, e o teste toxicológico de urina foi positivo para tetraidrocanabinol (THC), substância presente na Cannabis.

Durante a evolução clínica, o paciente recebeu um cardiodesfibrilador implantável e, incidentalmente, foi diagnosticado com hemocromatose hereditária. Logo após, recebeu alta hospitalar com encaminhamento para o hematologista, além de orientações para interromper o uso de lisdexanfetamina e evitar o consumo de Cannabis e psilocibina.

Os autores do artigo destacam que o uso recreativo de psilocibina tem sido reportado como relativamente seguro, e os efeitos colaterais cardíacos geralmente se limitam a aumentos transitórios na frequência cardíaca e pressão arterial. Entretanto, dois casos da literatura já associaram a psilocibina à Cardiomiopatia de Takotsubo (Síndrome do Coração Partido), que ainda é pouco estudada como uma possível complicação do uso recreativo dessa substância.

É provável que a psilocibina também seja transformada em catecolaminas por meio de uma reação química, formando a dopamina, que pode ser facilmente convertida em noradrenalina e adrenalina. Como o THC também parece ativar o sistema nervoso simpático, o aumento dessa sinalização causado tanto pela psilocibina como pelo THC e a lisdexamfetamina, pode ter contribuído para a disfunção cardíaca desse paciente, agravada pela hemocromatose hereditária.

Esse caso clínico enfatiza a importância de adotar as práticas de redução de danos, especialmente em indivíduos com outras comorbidades, histórico familiar de doenças cardiovasculares e que fazem uso contínuo de medicamentos que atuam no sistema nervoso central, como a lisdexanfetamina. Além disso, é necessário um acompanhamento médico adequado para pacientes que apresentam riscos de eventos adversos graves decorrentes do uso de psilocibina.


Referência

Bae S, Vaysblat M, Bae E, Dejanovic I, Pierce M. Cardiac Arrest Associated With Psilocybin Use and Hereditary Hemochromatosis. Cureus. 2023 May 7;15(5):e38669. doi: 10.7759/cureus.38669. PMID: 37288212; PMCID: PMC10243226.

Disponível na íntegra em:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10243226/

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